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quarta-feira, 18 de março de 2015

Ex-secretário de Turismo é interrogado em CPI e chora várias vezes

COMISSÃO INTERROGA RICARDO SOARES, EX-SECRETÁRIO DE TURISMO E EVENTOS

A Câmara Municipal de Itaguaí recebeu, durante sessão de CPI realizada na terça-feira (17), o ex-secretário de Turismo e Eventos da cidade, Ricardo Luis Rosa Soares. A presença dele foi intimada pela Comissão que investiga um suposto esquema de corrupção na prefeitura de Itaguaí. Durante o depoimento, que durou cerca de três horas, Ricardo falou sobre um vídeo em que ele apareceria. No material há diversas referências a pessoas que participariam do suposto esquema, além de valores possivelmente desviados. A Comissão, presidida pelo vereador Willian Cezar, do PT, e relatada pelo vereador Jaílson Barboza, do PRP, abriu os trabalhos às 10h com o juramento de honra. Em seguida iniciaram-se as exibições das imagens, intercaladas de questões relacionadas a elas.

Foram feitas perguntas relativas à participação de secretários do Executivo em esquemas de superfaturamento e sobre ingerências nas diversas secretarias. Questionou-se também de que forma os lucros da Expo Itaguaí foram divididos, além de questões como o dinheiro supostamente emprestado por Alexandre Marques da Silva, autor dos vídeos, a Ricardo.

Inicialmente, o ex-secretário alegou ter citado valores e atos como forma de se proteger de possíveis retaliações de seu interlocutor, o autor do vídeo, Alexandre Marques da Silva. Segundo o depoente, Alexandre lhe teria emprestado uma determinada quantia em dinheiro, a qual ainda não havia sido paga. “Ele me cobrava os juros, 10%, eu tive de fazer um empréstimo no banco e minha conta nunca voltou ao normal”, relatou à CPI. Ainda de acordo com Ricardo, esse seria o motivo de ele ter dito várias vezes ter recebido algum valor financeiro. A ideia seria convencer Alexandre de que ele possuiria recursos para pagar.

Durante a sessão, Ricardo respondeu aos questionamentos sobre a suposta participação dele no
esquema, bem como aos questionamentos sobre a postura do secretário de assuntos extraordinários Amaro Gagliardi e Andrea Lima, secretária de Saúde, citados nominalmente nas filmagens. Segundo Soares, Gagliardi foi apresentado pelo prefeito Luciano Mota, do PSDB, para lidar diretamente com as pastas da prefeitura, mas não teria tido interferência direta na pasta de Turismo, gerida por Ricardo. O comerciante afirmou ainda que fugia todas as vezes que Amaro o procurava para reuniões. Disse ainda que, sempre fugia quando ouvia falar em desviar 10% para o prefeito ou para o secretário.

Após vários questionamentos, os vereadores voltaram às perguntas do início da sessão, cujas respostas foram julgadas insatisfatórias. O presidente da casa, vereador Nisan César, do PSD, perguntou ao comerciante de quanto foi o empréstimo tomado por ele junto a Alexandre. Ricardo afirmou ser no valor de R$70.000,00. Perguntou-se então por que ele precisaria desse valor, se é dono de loja de automóveis, e poderia, por isso, levantar rapidamente esse valor. “Eu deixei a loja um pouco de lado ao entrar na prefeitura, e minhas contas apertaram”, respondeu Ricardo.

Outras vezes, sempre após exibições de trechos do vídeo, reiteravam-se as questões relativas à atuação de Amaro na prefeitura. “Então o senhor confirma o que foi dito no vídeo, que o senhor Amaro pegava 10% em todas as pastas?” perguntou Willian Cézar, em uma ocasião. Em outra ocasião foi questionado o valor de um carro citado na filmagem, que teria sido comprado por R$390.000.00 por Gagliardi. Sobre a primeira pergunta, Soares respondeu não saber e afirmou que muita coisa é oriunda de conversas que se escutam na prefeitura, Sobre o carro, afirmou apenas ter sido consultado sobre o valor do veículo.

Já na final da sessão, o vereador Willian Cezar questiona se é um hábito dos funcionários do Executivo comentar sobre corrupção, pouco após se exasperar com uma fala do vídeo, na qual Ricardo disse que o povo gosta de ‘pão e circo’. “O povo gosta é de ter hospitais, de ter saúde boa! De poder se consultar!”, exclamou, apoiado por AbeilardGoulart de Souza, do SD, que afirmou que tal postura, de dar somente festas para a população, é hábito de um governo que não faz nada.

Reações

Os parlamentares, por muitas vezes, se mostraram indignados com algumas respostas do depoente, as quais foram entendidas como evasivas. O presidente da Casa, Nisan César, advertiu várias vezes a Ricardo sobre a oportunidade de ‘lavar a alma’. Jaílson Barboza se emocionou e discursou, em tom de crítica, contra o governo. Por várias vezes se questionou também sobre um suposto hábito de se comentar sobre corrupção na sede do Executivo.

Já Soares chorou por duas vezes, além de, frequentemente, abaixar a cabeça ao ver as filmagens, aparentando arrependimento. O depoente alegou também querer ver o bem do município.
A sessão terminou com a marcação de outra dia 18 de março, às 17h, na sala das sessões.

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